Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

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    Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Sávio em Qui 26 Jun 2014, 15:08

    O brasileiro lê em média 4 livros por ano e muita gente reclama que isso acontece porque livro aqui é muito caro (o que é verdade), mas nossas escolas tem boa variedade de livros onde você pode pegar um emprestado e retornar ele depois.
    vamos fazer a nossa parte, divulgando livros a preços acessíveis.
    Talvez os nossos compartilhamentos dos nossos leitores sejam capazes de ajudar a aumentar esta média. É audacioso, a gente sabe, mas não custa tentar.

    A leitura tem boas vantagens, vou publicar 5 delas aqui:

    1. Falar sobre diversos assuntos
    Ao ler com frequência, você passa a ampliar seu conhecimento sobre diversos tipos de conteúdo, desde fatos reais até estória de ficção. Com isso, você expande sua capacidade de compreensão e se torna capaz de trazer assuntos diferentes às conversas, o que provavelmente fará com que você se sinta mais criativo.

    2. Encontrar empregos melhores
    Com um conhecimento mais amplo sobre diversos assuntos, você terá mais chance de ser bem-sucedido com as oportunidades de emprego encontrar. Uma pessoa culta que mostra ter vontade de manter-se aprendendo constantemente tem mais chances de se destacar entre os candidatos a uma vaga, conquistando os recrutadores.

    3. Melhorar a memória
    Quanto mais livros você ler, maior será sua compreensão. Ao entender a importância de um assunto e o motivo pelo qual ele é importante, você se lembrará dele com mais clareza, fazendo com que sua memória seja aprimorada.

    4. Aprimorar a capacidade de aprendizado
    Se você costuma ser desatendo ao realizar suas tarefas, passar a ler mais pode ajudar. Seu interesse por assuntos diversos aumentará e você se sentirá mais motivado a procurar por novas informações, aprimorando seu aprendizado.

    5. Diminuir o estresse
    Realizar diversas tarefas ao mesmo tempo devido à falta de atenção é uma atitude estressante, principalmente porque essas atividades fragmentadas normalmente são concluídas de maneira incompleta e inadequada. Como a leitura aumentará o seu foco, você deixará esse hábito de lado, fazendo com que você se sinta mais relaxado por ter mais concentração, assim como acontece na meditação.




    na minha vida eu só li um único livro ;-;, mas irei dar início a "Guerra dos Tronos - As Crônicas de Gelo e Fogo"


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Qui 26 Jun 2014, 15:17

    Ótimo tópico, conteúdo diferencial e estimulante.

    Eu li e gostei de um livro chamado: Diabo dos números, ele é ótimo para quem gosta de viajar em ideias e também quem curte matemática. O livro conta a estória de um garoto que odiava matemática e, toda noite, tinha os mesmos horríveis sonhos, repetindo e repetindo, todas as noites. Até que, em um certo sonho, apareceu um Diabo, ele se dizia o Diabo dos números e começou a mostrar ao garoto que matemática não é tão ruim assim e pode ser divertida.


    Última edição por Thelost em Qui 26 Jun 2014, 15:40, editado 2 vez(es)

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Gabriel em Qui 26 Jun 2014, 15:37

    Eu lembro de um livro que era pra apresentar como trabalho, eu gostei bastante do livro, mas não lembro o nome dele ;-;

    Eu não lembro muito da história, o livro era bem pequeno, tinha umas 40 folhas, a história, se eu não me engano, é de um menino que vem a uma fazenda com seu pai e sua familia pra trabalhar, dai o menino se apaixona pela filha do dono lá, eu não lembro muito bem o desenrolar da história, mas no fim, se eu lembro bem, o gerente da fazenda queria matar o dono, ele quase consegue matar, mas o menino avisa antes, dai o pai do menino passa a ser o gerente da fazenda, ou algo assim ;-;

    Aquele livro é muito dahora ;-;


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Pylm em Qui 26 Jun 2014, 15:48

    parabéns, tu contou o inicio, meio e fim do livro em menos de 10 linhas :)




    Pra quem se interessa por romance da literatura brasileira, eu tinha um livro pra ler pro bimetre de português chamado o Triste Fim de Policarpo Quaresma, achei um porre ler aquilo (li 30 páginas e tava caindo de sono, tinha umas 100 ou 120) e levei bomba na prova, na recuperação eu li um resumo do livro na internet e achei bacana, é uma recomendação, apesar do início ser extremamente monótono.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Junior_Djjr em Qui 26 Jun 2014, 15:55

    Incentivo a leitura:
    leia minhas mensagens grandes no forum, principalmente as do artututu tbm
    leia postagem
    leia leiame
    leia faq


    eu nunca leio livros mas nas poucas vezes em minha vida q li algum livro eu gostei :v:
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    de livro msm foi por causa da escola, mas gostei de ler, sempre no fim da noite saia do pc/ps2 (eu nao tinha net kk) e deitava na cama ler mais algumas partes, era um momento legal entrar na historia e talz


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Leogh em Qui 26 Jun 2014, 16:07

    Eu só li os livros de Assassin's Creed(o primeiro e segundo livro), e li metade de Dom Casmurro.
    As vezes eu tenho vontade de ler,mas dá uma preguiça...


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Pylm em Qui 26 Jun 2014, 16:10

    eu lia quando não tinha internet e nem PC.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Qui 26 Jun 2014, 16:20

    "Ai, eu li aqueles dois livros, também li a saga do AAA, também tem aquele outro conto AAX, mais os dois livros do Fulano AXA..." << odeio gente assim, deve ler o livro e não lembrar de mais porra alguma.

    Enfim, aqui não é lugar para dizer quais livros nós lemos (sim, eu sei, eu fiz isso), mas sim para discutirmos sobre Leitura.

    Eu citei o Diabo dos números, pois vi que ele, além de contar uma estória cativante, faz o leitor se interessar sobre essas partes mais divertidas da matemática, sendo assim, o leitor, além de ler um ótimo livro, aprender mais sobre matemática sem perceber. Essa é a mágica da leitura.

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por ThePedro004 em Qui 26 Jun 2014, 16:38

    A culpa é da minha rola
    Eu ja li alguns livros bons,entre eles a Série Diário de Um Banana de 1 até o 4.
    Também li o Como Treinar Seu Dragão(O livro,dah)
    Mas os dois melhores que li foram Os Miseráveis e o Clube de Contadores de Histórias Tristes,o nome pode parecer gay mas o livro é do caralho.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Qui 26 Jun 2014, 17:05

    Outro que não lê as mensagens (Credo, que livros lixos).

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por JNRois12 em Qui 26 Jun 2014, 17:09

    Queria ler as Crônicas de Gelo e Fogo e os livros do AC, mas os preços tão lá em cima e eu não tenho saco pra ler no PC ou no celular ;-;

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Gabriel em Sex 27 Jun 2014, 03:07

    nome do tópico escreveu: Incentivo à Leitura - Debata sobre os melhores livros, recomendações e exiba sua biblioteca.

    'E exiba sua biblioteca' seria oque?


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por -W4nted em Sex 27 Jun 2014, 03:13

    Eu li mais ou menos uns 3~4 livros em minha vida toda...
    entre eles está "A Cabana" e "O Segredo"


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Sex 27 Jun 2014, 09:11

    @Gabriel escreveu:
    nome do tópico escreveu: Incentivo à Leitura - Debata sobre os melhores livros, recomendações e exiba sua biblioteca.

    'E exiba sua biblioteca' seria oque?
    só fazem isso também.

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Sávio em Sex 27 Jun 2014, 11:24

    lembrei que eu já li um Livro do Dom Casmurro " O cartomante" ;-;


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Sex 27 Jun 2014, 11:59

    O que há no livro?

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Sávio em Sab 28 Jun 2014, 06:49

    foi mal por não ter respondido antes, tinha esquecido ;-;

    o cartomante e mais um livro gráfico, pois ele mesmo cabeu em 85% de uma folha. (se você não entendeu imagine um Gibi em quadrinhos da Turma da Mônica, então...)

    e o livro e do machado de assis e não do Dom Casmurro, eu sou um retardado ;-;

    LIVRO - A Cartomante (machado de assis):
    Hamlet observa a Horácio que há mais cousas no céu e na terra do que sonha a nossa filosofia. Era a mesma explicação que dava a bela Rita ao moço Camilo, numa sexta-feira de Novembro de 1869, quando este ria dela, por ter ido na véspera consultar uma cartomante; a diferença é que o fazia por outras palavras.

    — Ria, ria. Os homens são assim; não acreditam em nada. Pois saiba que fui, e que ela adivinhou o motivo da consulta, antes mesmo que eu lhe dissesse o que era. Apenas começou a botar as cartas, disse-me: "A senhora gosta de uma pessoa..." Confessei que sim, e então ela continuou a botar as cartas, combinou-as, e no fim declarou-me que eu tinha medo de que você me esquecesse, mas que não era verdade...

    — Errou! Interrompeu Camilo, rindo.

    — Não diga isso, Camilo. Se você soubesse como eu tenho andado, por sua causa. Você sabe; já lhe disse. Não ria de mim, não ria...

    Camilo pegou-lhe nas mãos, e olhou para ela sério e fixo. Jurou que lhe queria muito, que os seus sustos pareciam de criança; em todo o caso, quando tivesse algum receio, a melhor cartomante era ele mesmo. Depois, repreendeu-a; disse-lhe que era imprudente andar por essas casas. Vilela podia sabê-lo, e depois...

    — Qual saber! tive muita cautela, ao entrar na casa.

    — Onde é a casa?

    — Aqui perto, na rua da Guarda Velha; não passava ninguém nessa ocasião. Descansa; eu não sou maluca.

    Camilo riu outra vez:

    — Tu crês deveras nessas coisas? perguntou-lhe.

    Foi então que ela, sem saber que traduzia Hamlet em vulgar, disse-lhe que havia muito cousa misteriosa e verdadeira neste mundo. Se ele não acreditava, paciência; mas o certo é que a cartomante adivinhara tudo. Que mais? A prova é que ela agora estava tranqüila e satisfeita.

    Cuido que ele ia falar, mas reprimiu-se, Não queria arrancar-lhe as ilusões. Também ele, em criança, e ainda depois, foi supersticioso, teve um arsenal inteiro de crendices, que a mãe lhe incutiu e que aos vinte anos desapareceram. No dia em que deixou cair toda essa vegetação parasita, e ficou só o tronco da religião, ele, como tivesse recebido da mãe ambos os ensinos, envolveu-os na mesma dúvida, e logo depois em uma só negação total. Camilo não acreditava em nada. Por quê? Não poderia dizê-lo, não possuía um só argumento; limitava-se a negar tudo. E digo mal, porque negar é ainda afirmar, e ele não formulava a incredulidade; diante do mistério, contentou-se em levantar os ombros, e foi andando.

    Separaram-se contentes, ele ainda mais que ela. Rita estava certa de ser amada; Camilo, não só o estava, mas via-a estremecer e arriscar-se por ele, correr às cartomantes, e, por mais que a repreendesse, não podia deixar de sentir-se lisonjeado. A casa do encontro era na antiga rua dos Barbonos, onde morava uma comprovinciana de Rita. Esta desceu pela rua das Mangueiras, na direção de Botafogo, onde residia; Camilo desceu pela da Guarda velha, olhando de passagem para a casa da cartomante.

    Vilela, Camilo e Rita, três nomes, uma aventura, e nenhuma explicação das origens. Vamos a ela. Os dois primeiros eram amigos de infância. Vilela seguiu a carreira de magistrado. Camilo entrou no funcionalismo, contra a vontade do pai, que queria vê-lo médico; mas o pai morreu, e Camilo preferiu não ser nada, até que a mãe lhe arranjou um emprego público. No princípio de 1869, voltou Vilela da província, onde casara com uma dama formosa e tonta; abandonou a magistratura e veio abrir banca de advogado. Camilo arranjou-lhe casa para os lados de Botafogo, e foi a bordo recebê-lo.

    — É o senhor? exclamou Rita, estendendo-lhe a mão. Não imagina como meu marido é seu amigo; falava sempre do senhor.

    Camilo e Vilela olharam-se com ternura. Eram amigos deveras. Depois, Camilo confessou de si para si que a mulher do Vilela não desmentia as cartas do marido. Realmente, era graciosa e viva nos gestos, olhos cálidos, boca fina e interrogativa. Era um pouco mais velha que ambos: contava trinta anos, Vilela vinte e nove e Camilo vente e seis. Entretanto, o porte grave de Vilela fazia-o parecer mais velho que a mulher, enquanto Camilo era um ingênuo na vida moral e prática. Faltava-lhe tanto a ação do tempo, como os óculos de cristal, que a natureza põe no berço de alguns para adiantar os anos. Nem experiência, nem intuição.

    Uniram-se os três. Convivência trouxe intimidade. Pouco depois morreu a mãe de Camilo, e nesse desastre, que o foi, os dois mostraram-se grandes amigos dele. Vilela cuidou do enterro, dos sufrágios e do inventário; Rita tratou especialmente do coração, e ninguém o faria melhor.

    Como daí chegaram ao amor, não o soube ele nunca. A verdade é que gostava de passar as horas ao lado dela; era a sua enfermeira moral, quase uma irmã, mas principalmente era mulher e bonita. Odor di femina: eis o que ele aspirava nela, e em volta dela, para incorporá-lo em si próprio. Liam os mesmos livros, iam juntos a teatros e passeios. Camilo ensinou-lhe as damas e o xadrez e jogavam às noites; — ela mal, — ele, para lhe ser agradável, pouco menos mal. Até aí as cousas. Agora a ação da pessoa, os olhos teimosos de Rita, que procuravam muita vez os dele, que os consultavam antes de o fazer ao marido, as mãos frias, as atitudes insólitas. Um dia, fazendo ele anos, recebeu de Vilela uma rica bengala de presente, e de Rita apenas um cartão com um vulgar cumprimento a lápis, e foi então que ele pôde ler no próprio coração; não conseguia arrancar os olhos do bilhetinho. Palavras vulgares; mas há vulgaridades sublimes, ou, pelo menos, deleitosas. A velha caleça de praça, em que pela primeira vez passeaste com a mulher amada, fechadinhos ambos, vale o carro de Apolo. Assim é o homem, assim são as cousas que o cercam.

    Camilo quis sinceramente fugir, mas já não pôde. Rita como uma serpente, foi-se acercando dele, envolveu-o todo, fez-lhe estalar os ossos num espasmo, e pingou-lhe o veneno na boca. Ele ficou atordoado e subjugado. Vexame, sustos, remorsos, desejos, tudo sentiu de mistura; mas a batalha foi curta e a vitória delirante. Adeus, escrúpulos! Não tardou que o sapato se acomodasse ao pé, e aí foram ambos, estrada fora, braços dados, pisando folgadamente por cima de ervas e pedregulhos, sem padecer nada mais que algumas saudades, quando estavam ausentes um do outro. A confiança e estima de Vilela continuavam a ser as mesmas.

    Um dia, porém, recebeu Camilo uma carta anônima, que lhe chamava imoral e pérfido, e dizia que a aventura era sabida de todos. Camilo teve medo, e, para desviar as suspeitas, começou a rarear as visitas à casa de Vilela. Este notou-lhe as ausências. Camilo respondeu que o motivo era uma paixão frívola de rapaz. Candura gerou astúcia. As ausências prolongaram-se, e as visitas cessaram inteiramente. Pode ser que entrasse também nisso um pouco de amor-próprio, uma intenção de diminuir os obséquios do marido, para tornar menos dura a aleivosia do ato.

    Foi por esse tempo que Rita, desconfiada e medrosa, correu à cartomante para consultá-la sobre a verdadeira causa do procedimento de Camilo. Vimos que a cartomante restituiu-lhe a confiança, e que o rapaz repreendeu-a por ter feito o que fez. Correram ainda algumas semanas. Camilo recebeu mais duas ou três cartas anônimas, tão apaixonadas, que não podiam ser advertência da virtude, mas despeito de algum pretendente; tal foi a opinião de Rita, que, por outras palavras mal compostas, formulou este pensamento: — a virtude é preguiçosa e avara, não gasta tempo nem papel; só o interesse é ativo e pródigo.

    Nem por isso Camilo ficou mais sossegado; temia que o anônimo fosse ter com Vilela, e a catástrofe viria então sem remédio. Rita concordou que era possível.

    — Bem, disse ela; eu levo os sobrescritos para comparar a letra com a das cartas que lá aparecerem; se alguma for igual, guardo-a e rasgo-a...

    Nenhuma apareceu; mas daí a algum tempo Vilela começou a mostrar-se sombrio, falando pouco, como desconfiado. Rita deu-se pressa em dizê-lo ao outro, e sobre isso deliberaram. A opinião dela é que Camilo devia tornar à casa deles, tatear o marido, e pode ser até que lhe ouvisse a confidência de algum negócio particular. Camilo divergia; aparecer depois de tantos meses era confirmar a suspeita ou denúncia. Mais valia acautelarem-se, sacrificando-se por algumas semanas. Combinaram os meios de se corresponderem, em caso de necessidade, e separaram-se com lágrimas.

    No dia seguinte, estando na repartição, recebeu Camilo este bilhete de Vilela: "Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Era mais de meio-dia. Camilo saiu logo; na rua, advertiu que teria sido mais natural chamá-lo ao escritório; por que em casa? Tudo indicava matéria especial, e a letra, fosse realidade ou ilusão, afigurou-se-lhe trêmula. Ele combinou todas essas cousas com a notícia da véspera.

    — Vem já, já, à nossa casa; preciso falar-te sem demora, — repetia ele com os olhos no papel.

    Imaginariamente, viu a ponta da orelha de um drama, Rita subjugada e lacrimosa, Vilela indignado, pegando na pena e escrevendo o bilhete, certo de que ele acudiria, e esperando-o para matá-lo. Camilo estremeceu, tinha medo: depois sorriu amarelo, e em todo caso repugnava-lhe a idéia de recuar, e foi andando. De caminho, lembrou-se de ir a casa; podia achar algum recado de Rita, que lhe explicasse tudo. Não achou nada, nem ninguém. Voltou à rua, e a idéia de estarem descobertos parecia-lhe cada vez mais verossímil; era natural uma denúncia anônima, até da própria pessoa que o ameaçara antes; podia ser que Vilela conhecesse agora tudo. A mesma suspensão das suas visitas, sem motivo aparente, apenas com um pretexto fútil, viria confirmar o resto.

    Camilo ia andando inquieto e nervoso. Não relia o bilhete, mas as palavras estavam decoradas, diante dos olhos, fixas; ou então, — o que era ainda peior, — eram-lhe murmuradas ao ouvido, com a própria voz de Vilela. "Vem já, já à nossa casa; preciso falar-te sem demora." Ditas, assim, pela voz do outro, tinham um tom de mistério e ameaça. Vem, já, já, para quê? Era perto de uma hora da tarde. A comoção crescia de minuto a minuto. Tanto imaginou o que se iria passar, que chegou a crê-lo e vê-lo. Positivamente, tinha medo. Entrou a cogitar em ir armado, considerando que, se nada houvesse, nada perdia, e a precaução era útil. Logo depois rejeitava a idéa, vexado de si mesmo, e seguia, picando o passo, na direção do largo da Carioca, para entrar num tílburi. Chegou, entrou e mandou seguir a trote largo.

    — Quanto antes, melhor, pensou ele; não posso estar assim...

    Mas o mesmo trote do cavalo veio agravar-lhe a comoção. O tempo voava, e ele não tardaria a entestar com o perigo. Quase no fim da rua da Guarda Velha, o tílburi teve de parar; a rua estava atravancada com uma carroça, que caíra. Camilo, em si mesmo, estimou o obstáculo, e esperou. No fim de cinco minutos, reparou que ao lado, à esquerda, ao pé do tílburi, ficava a casa da cartomante, a quem Rita consultara uma vez, e nunca ele desejou tanto crer na lição das cartas. Olhou, viu as janelas fechadas, quando todas as outras estavam abertas e pejadas de curiosos do incidente da rua. Dir-se-ia a morada do indiferente Destino.

    Camilo reclinou-se no tílburi, para não ver nada. A agitação dele era grande, extraordinária, e do fundo das camadas morais emergiam alguns fantasmas de outro tempo, as velhas crenças, as superstições antigas. O cocheiro propôs-lhe voltar a primeira travessa, e ir por outro caminho; ele respondeu que não, que esperasse. E inclinava-se para fitar a casa... Depois fez um gesto incrédulo: era a idéia de ouvir a cartomante, que lhe passava ao longe, muito longe, com vastas asas cinzentas; desapareceu, reapareceu, e tornou a esvair-se no cérebro; mas daí a pouco moveu outra vez as asas, mais perto, fazendo uns giros concêntricos... Na rua, gritavam os homens, safando a carroça:

    — Anda! agora! empurra! vá! vá!

    Daí a pouco estaria removido o obstáculo. Camilo fechava os olhos, pensava em outras cousas; mas a voz do marido sussurrava-lhe às orelhas as palavras da carta: "Vem já, já..." E ele via as contorções do drama e tremia. A casa olhava para ele. As pernas queriam descer e entrar... Camilo achou-se diante de um longo véu opaco... pensou rapidamente no inexplicável de tantas cousas. A voz da mãe repetia-lhe uma porção de casos extraordinários; e a mesma frase do príncipe de Dinamarca reboava-lhe dentro: "Há mais cousas no céu e na terra do que sonha a filosofia..." Que perdia ele, se...?

    Deu por si na calçada, ao pé da porta; disse ao cocheiro que esperasse, e rápido enfiou pelo corredor, e subiu a escada. A luz era pouca, os degraus comidos dos pés, o corrimão pegajoso; mas ele não viu nem sentiu nada. Trepou e bateu. Não aparecendo ninguém, teve idéia de descer; mas era tarde, a curiosidade fustigava-lhe o sangue, as fontes latejavam-lhe; ele tornou a bater uma, duas, três pancadas. Veio uma mulher; era a cartomante. Camilo disse que ia consultá-la, ela fê-lo entrar. Dali subiram ao sótão, por uma escada ainda pior que a primeira e mais escura. Em cima, havia uma salinha, mal alumiada por uma janela, que dava para os telhados do fundo. Velhos trastes, paredes sombrias, um ar de pobreza, que antes aumentava do que destruía o prestígio.

    A cartomante fê-lo sentar diante da mesa, e sentou-se do lado oposto, com as costas para a janela, de maneira que a pouca luz de fora batia em cheio no rosto de Camilo. Abriu uma gaveta e tirou um baralho de cartas compridas e enxovalhadas. Enquanto as baralhava, rapidamente, olhava para ele, não de rosto, mas por baixo dos olhos. Era uma mulher de quarenta anos, italiana, morena e magra, com grandes olhos sonsos e agudos. Voltou três cartas sobre a mesa, e disse-lhe:

    — Vejamos primeiro o que é que o traz aqui. O senhor tem um grande susto...

    Camilo, maravilhado, fez um gesto afirmativo.

    — E quer saber, continuou ela, se lhe acontecerá alguma coisa ou não...

    — A mim e a ela, explicou vivamente ele.

    A cartomante não sorriu; disse-lhe só que esperasse. Rápido pegou outra vez as cartas e baralhou-as, com os longos dedos finos, de unhas descuradas; baralhou-as bem, transpôs os maços, uma, duas, três vezes; depois começou a estendê-las. Camilo tinha os olhos nela, curioso e ansioso.

    — As cartas dizem-me...

    Camilo inclinou-se para beber uma a uma as palavras. Então ela declarou-lhe que não tivesse medo de nada. Nada aconteceria nem a um nem a outro; ele, o terceiro, ignorava tudo. Não obstante, era indispensável mais cautela; ferviam invejas e despeitos. Falou-lhe do amor que os ligava, da beleza de Rita... Camilo estava deslumbrado. A cartomante acabou, recolheu as cartas e fechou-as na gaveta.

    — A senhora restituiu-me a paz ao espírito, disse ele estendendo a mão por cima da mesa e apertando a da cartomante.

    Esta levantou-se, rindo.

    — Vá, disse ela; vá, ragazzo innamorato...

    E de pé, com o dedo indicador, tocou-lhe na testa. Camilo estremeceu, como se fosse mão da própria sibila, e levantou-se também. A cartomante foi à cômoda, sobre a qual estava um prato com passas, tirou um cacho destas, começou a despencá-las e comê-las, mostrando duas fileiras de dentes que desmentiam as unhas. Nessa mesma ação comum, a mulher tinha um ar particular. Camilo, ansioso por sair, não sabia como pagasse; ignorava o preço.

    — Passas custam dinheiro, disse ele afinal, tirando a carteira. Quantas quer mandar buscar?

    — Pergunte ao seu coração, respondeu ela.

    Camilo tirou uma nota de dez mil-réis, e deu-lha. Os olhos da cartomante fuzilaram. O preço usual era dois mil-réis.

    — Vejo bem que o senhor gosta muito dela... E faz bem; ela gosta muito do senhor. Vá, vá tranqüilo. Olhe a escada, é escura; ponha o chapéu...

    A cartomante tinha já guardado a nota na algibeira, e descia com ele, falando, com um leve sotaque. Camilo despediu-se dela embaixo, e desceu a escada que levava à rua, enquanto a cartomante alegre com a paga, tornava acima, cantarolando uma barcarola. Camilo achou o tílburi esperando; a rua estava livre. Entrou e seguiu a trote largo.

    Tudo lhe parecia agora melhor, as outras cousas traziam outro aspecto, o céu estava límpido e as caras joviais. Chegou a rir dos seus receios, que chamou pueris; recordou os termos da carta de Vilela e reconheceu que eram íntimos e familiares. Onde é que ele lhe descobrira a ameaça? Advertiu também que eram urgentes, e que fizera mal em demorar-se tanto; podia ser algum negócio grave e gravíssimo.

    — Vamos, vamos depressa, repetia ele ao cocheiro.

    E consigo, para explicar a demora ao amigo, engenhou qualquer cousa; parece que formou também o plano de aproveitar o incidente para tornar à antiga assiduidade... De volta com os planos, reboavam-lhe na alma as palavras da cartomante. Em verdade, ela adivinhara o objeto da consulta, o estado dele, a existência de um terceiro; por que não adivinharia o resto? O presente que se ignora vale o futuro. Era assim, lentas e contínuas, que as velhas crenças do rapaz iam tornando ao de cima, e o mistério empolgava-o com as unhas de ferro. Às vezes queria rir, e ria de si mesmo, algo vexado; mas a mulher, as cartas, as palavras secas e afirmativas, a exortação: — Vá, vá, ragazzo innamorato; e no fim, ao longe, a barcarola da despedida, lenta e graciosa, tais eram os elementos recentes, que formavam, com os antigos, uma fé nova e vivaz.

    A verdade é que o coração ia alegre e impaciente, pensando nas horas felizes de outrora e nas que haviam de vir. Ao passar pela Glória, Camilo olhou para o mar, estendeu os olhos para fora, até onde a água e o céu dão um abraço infinito, e teve assim uma sensação do futuro, longo, longo, interminável.

    Daí a pouco chegou à casa de Vilela. Apeou-se, empurrou a porta de ferro do jardim e entrou. A casa estava silenciosa. Subiu os seis degraus de pedra, e mal teve tempo de bater, a porta abriu-se, e apareceu-lhe Vilela.

    — Desculpa, não pude vir mais cedo; que há?

    Vilela não lhe respondeu; tinha as feições decompostas; fez-lhe sinal, e foram para uma saleta interior. Entrando, Camilo não pôde sufocar um grito de terror: — ao fundo sobre o canapé, estava Rita morta e ensangüentada. Vilela pegou-o pela gola, e, com dois tiros de revólver, estirou-o morto no chão.

    Este conto foi publicado originalmente na Gazeta de Notícias - Rio de Janeiro, em 1884. Posteriormente foi incluído no livro "Várias Histórias" e em "Contos: Uma Antologia", Companhia das Letras - São Paulo, 1998, de onde foi extraído. Com esta publicação homenageamos Machado de Assis que, no dia 21 deste, estaria completando seu 172° aniversário.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Thelost em Sab 28 Jun 2014, 11:28

    não cara, eu só queria saber a sinopse.

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Tasso3D em Sab 28 Jun 2014, 11:36

    Eu não sou muito de ler livros, já li alguns (não só os que as escola nos força) os que me interesso em ler, tenho que ler a versão digitalizada, e eu não curto ler livros assim.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Black_Jack em Sab 28 Jun 2014, 17:03

    Bartleby, o escrivão - Uma história de Wall Street

    O narrador, um antigo advogado que comanda um confortável negócio, onde ajuda homens ricos a lidar com hipotecas e títulos de propriedade, relata a história do homem mais estranho que ele já conheceu.

    Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Bartleby,_o_Escriv%C3%A3o


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por JNRois12 em Qua 23 Jul 2014, 00:35

    https://www.humblebundle.com/thewalkingdead

    3 primeiras HQs do TWD de free no HB, tão em inglês, mas né

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Pylm em Qua 23 Jul 2014, 11:51

    Eu lia as HQ's pirataria de quadrinhos , parei na edição 50 e alguma coisa, tava ficando massante.


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por Sávio em Qua 23 Jul 2014, 16:52

    eu terminei de ler ontem o livro Assassin's Creed - a cruzada secreta.

    e porra cara, o jogo em si e meio repetitivo, mas a história e simplesmente foda, mais foda ainda e saber que a história continua e o jogo não mostra tudo.

    Altair foi um dos assassinos mais habilidosos de toda a franquia cara, na boa mesmo, meu respeito por esse cara aumentou muito...


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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por JNRois12 em Qua 23 Jul 2014, 19:17

    Ia comprar o box com pelo menos os 3 primeiros livros da série, mas não acho em lugar nenhum mais, tudo esgotado ;-; Vou comprar separado mesmo, aí ja compro o "Deuses Americanos", vi a recomendação do JN e parece fodinha

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

    Mensagem por TheGamerOcelot em Qua 23 Jul 2014, 19:34

    Recomendo um gibi muito bom que leio sempre se chama Tex é com o tema faroeste, ele é muito bom cara e outro que nao posso deixar de citar é o Zagor do mesmo criador do tex ele tem tema a ver com aventura e é ótimo tbm!!

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    Re: Incentivo à Leitura - [ debate sobre livros | recomendações | exiba sua biblioteca ]

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